Dr. José Henrique Dias | Cardiologista em Santo André – São Paulo

Colesterol LDL alto: quais os riscos e o que fazer

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Dr. José Henrique Dias

CARDIOLOGISTA | CRM 168053 - RQE 102240

Ter colesterol LDL alto significa ter no sangue mais LDL do que a meta definida para o seu risco cardiovascular. Com o tempo, esse excesso se deposita na parede das artérias e forma placas de gordura que aumentam a chance de infarto e AVC. Não existe um valor normal único: a meta depende de quem é o paciente.

Um LDL de 110 mg/dL está dentro da meta para uma pessoa jovem, sem outros fatores de risco, e muito acima do recomendado para quem já teve um infarto.

A seguir, explico o que é o LDL, quais são as metas da diretriz brasileira mais recente, o que costuma elevar esse colesterol e como baixá-lo.

Neste artigo

  1. O que é o colesterol LDL
  2. Valor de referência do LDL: a meta depende do risco
  3. Quais são os riscos do LDL alto
  4. O que deixa o LDL alto
  5. Como baixar o LDL
  6. Exames de acompanhamento
  7. Perguntas frequentes
  8. Quando procurar um cardiologista

O que é o colesterol LDL

O colesterol é uma gordura que o corpo usa para formar as membranas das células e produzir hormônios e vitamina D. Boa parte dele é fabricada pelo próprio fígado. Como gordura não se mistura com o sangue, o colesterol circula dentro de partículas chamadas lipoproteínas.

A LDL (sigla em inglês para lipoproteína de baixa densidade) leva colesterol do fígado para os tecidos. Quando há partículas de LDL demais circulando, parte delas atravessa a camada interna da artéria e fica retida ali. É por isso que o LDL ganhou o apelido de “colesterol ruim”.

O HDL, o “colesterol bom”, leva colesterol de volta ao fígado. Para uma visão geral sobre colesterol total, HDL e triglicérides, leia o artigo colesterol alto tem solução.

Valor de referência do LDL: a meta depende do risco

Muita gente procura um “valor de referência do LDL” como o da glicose. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) primeiro classifica o risco cardiovascular da pessoa e depois define a meta de LDL para aquele risco.

A referência atual é a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (SBC, 2025), que substituiu a atualização de 2017. As metas ficaram assim:

Categoria de riscoQuem costuma estar aqui (resumo)Meta de LDLRedução mínima do LDL
BaixoRisco calculado menor que 5% em 10 anos, sem diabetes tipo 2 e sem fatores agravantesmenor que 115 mg/dL30% ou mais
IntermediárioRisco calculado de 5% a menos de 20% em 10 anos, ou LDL entre 160 e 189 mg/dLmenor que 100 mg/dL30% ou mais
AltoRisco calculado de 20% ou mais, placa nas artérias sem obstrução importante, LDL de 190 mg/dL ou mais, parte dos diabéticosmenor que 70 mg/dL50% ou mais
Muito altoInfarto, AVC ou outro evento aterosclerótico prévio, ou obstrução de 50% ou mais em alguma artériamenor que 50 mg/dL50% ou mais
ExtremoVários eventos cardiovasculares maiores, ou um evento somado a duas ou mais condições de alto riscomenor que 40 mg/dL50% ou mais

A diretriz também define metas para o colesterol não-HDL (o colesterol total menos o HDL), sempre 30 mg/dL acima da meta de LDL. Ele é útil sobretudo em quem tem triglicérides altos.

Para encaixar alguém numa dessas categorias, o cardiologista usa uma equação de risco, a história clínica e, às vezes, exames de imagem. Uma estimativa inicial pode ser feita na calculadora de risco cardiovascular do consultório. Ela não substitui a consulta.

Vejo com frequência no consultório o paciente que chega tranquilo porque o laboratório marcou o LDL de 98 mg/dL sem nenhum alerta, mas ele tem diabetes há anos e uma placa na carótida. Para esse perfil, a meta fica bem abaixo disso.

Quais são os riscos do LDL alto

O LDL alto não dói e não dá sintoma. O problema é cumulativo. Partículas de LDL retidas na parede da artéria provocam uma reação inflamatória, e aos poucos se forma uma placa de gordura. Esse processo se chama aterosclerose e pode começar ainda na juventude.

Quando a placa cresce ou se rompe, aparecem as consequências:

  • Infarto, quando a placa obstrui uma artéria do coração.
  • AVC isquêmico, quando o problema acontece nas artérias que levam sangue ao cérebro, como as carótidas.
  • Doença arterial periférica, com dor nas pernas ao caminhar que melhora com o repouso.
  • Angina, o aperto no peito aos esforços.

Segundo a diretriz de 2025 da SBC, cada redução de 39 mg/dL no LDL diminui em cerca de 20% a 25% o risco relativo de eventos cardiovasculares maiores.

O tempo de exposição também conta. Por isso, a diretriz classifica qualquer adulto com LDL de 190 mg/dL ou mais como de risco alto, mesmo sem nenhum outro fator.

O que deixa o LDL alto

Genética e hipercolesterolemia familiar

Há pessoas magras, ativas e com boa alimentação que têm o LDL alto por herança genética.

O caso mais marcante é a hipercolesterolemia familiar, uma alteração genética que eleva muito o LDL desde a infância. Ela deve ser lembrada quando um adulto tem LDL persistentemente igual ou acima de 190 mg/dL, sobretudo se há parentes com infarto precoce. Dados do estudo ELSA-Brasil, citados na diretriz de 2025, estimam que ela afete cerca de 1 em cada 263 brasileiros. Com o diagnóstico, pais, irmãos e filhos também devem ser examinados.

Alimentação

Gordura saturada (carnes gordas, embutidos, manteiga, queijos amarelos, frituras) e gordura trans elevam o LDL. A diretriz da SBC recomenda que a gordura saturada fique abaixo de 7% das calorias do dia e que a gordura trans seja evitada.

Doenças e medicamentos

O médico também procura causas secundárias. As principais citadas pela diretriz são:

  • hipotireoidismo, que deve ser pesquisado com um exame de TSH; tratar a tireoide costuma melhorar o colesterol;
  • síndrome nefrótica e outras doenças renais;
  • doença hepática colestática;
  • alguns medicamentos, como isotretinoína (usada para acne), corticoides e anticoncepcionais orais.

Como baixar o LDL

Alimentação

A mudança que mais pesa é trocar gordura saturada por gorduras insaturadas: azeite, castanhas, abacate e peixes no lugar de carnes gordas, embutidos e frituras. Fibras solúveis, presentes na aveia, no feijão e nas frutas, também ajudam.

E o ovo? O posicionamento da SBC sobre consumo de gorduras (2021) lembra que ele tem colesterol, mas pouca gordura saturada. Muitas vezes, o problema está no que acompanha o ovo: bacon, linguiça, manteiga.

Atividade física e peso

A diretriz recomenda para adultos pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, como caminhada em ritmo firme, ou 75 minutos de atividade vigorosa. Perder peso, quando há excesso, também ajuda a baixar o LDL. Parar de fumar não muda o número do exame, mas reduz muito o risco de infarto.

Em quem tem LDL de origem genética, a mudança de hábito ajuda, mas raramente basta sozinha.

Quando entram os remédios

A decisão de usar medicamento segue o risco, não só o número do LDL:

  • Em risco alto, muito alto ou extremo, a diretriz recomenda remédio junto com as mudanças de estilo de vida, desde o início.
  • Em risco baixo ou intermediário, o remédio entra quando o LDL fica persistentemente 30 mg/dL ou mais acima da meta, apesar das mudanças de hábito.

As estatinas são a primeira opção. Quando não alcançam a meta sozinhas, podem ser associadas a outras medicações, como a ezetimiba, que reduz a absorção de colesterol no intestino, ou os inibidores de PCSK9, aplicados por injeção. A escolha do esquema e da dose é individual.

Medo de estatina

Muita gente chega à consulta com medo de estatina, por causa de histórias de dor muscular, de “remédio que estraga o fígado” ou de “remédio para o resto da vida”. Antes de qualquer receita, eu explico o que o número do LDL significa para aquela pessoa, qual é a meta dela e o que é verdade e o que é mito sobre o remédio. Paciente que entende o motivo do tratamento costuma seguir com ele.

A dor muscular existe, mas é bem menos frequente do que a fama sugere, e quase sempre se resolve ajustando a dose ou trocando a medicação. Se ela aparecer, converse com o médico antes de parar por conta própria.

E a demência? É a pergunta que as pessoas mais fazem sobre estatina. A dúvida ganhou força em 2012, quando a agência americana de medicamentos (FDA) passou a citar na bula relatos de esquecimento e confusão mental, raros e que desapareciam quando o remédio era suspenso.

De lá para cá, o tema foi muito estudado. Em 2023, a declaração científica da American Heart Association sobre LDL baixo e cérebro revisou os estudos observacionais e os ensaios clínicos e concluiu que eles não mostram aumento do risco de demência ou de declínio cognitivo com estatina, mesmo quando o LDL fica muito baixo. Também não há evidência de que o remédio piore os sintomas de quem já tem Alzheimer.

Na consulta, lembro ainda que o LDL alto favorece placas nas artérias que levam sangue ao cérebro, e que o tratamento reduz o risco de AVC.

Exames de acompanhamento

O LDL é medido no perfil lipídico, o exame de sangue das gorduras. Para a avaliação inicial, a diretriz aceita a coleta sem jejum. O jejum de 12 horas fica para casos específicos, como triglicérides muito altos, a critério do médico.

Depois de começar ou ajustar uma estatina, a recomendação é repetir o perfil lipídico em cerca de 4 semanas. Atingida a meta, o controle passa a ser anual na maioria dos casos.

ExamePara que serve no LDL alto
Perfil lipídicoMede o LDL e o não-HDL e mostra se a meta foi atingida
TSHDescarta hipotireoidismo como causa do LDL alto
Glicemia, função renal e enzimas do fígadoInvestigam causas secundárias e ajudam a escolher o tratamento
Lipoproteína(a)Fator de risco herdado; a diretriz recomenda dosar ao menos uma vez na vida
Ultrassom de carótidas ou escore de cálcio coronarianoProcuram placas ainda sem sintomas e podem mudar a categoria de risco

Esses exames costumam fazer parte do check-up cardiológico. Veja também os exames mais pedidos para avaliar a saúde do coração.

Perguntas frequentes

Qual é o valor normal do colesterol LDL?

Não há um valor único. Pela diretriz da SBC de 2025, a meta vai de menos de 115 mg/dL, para quem tem risco baixo, até menos de 40 mg/dL, para quem tem risco extremo.

LDL alto: o que fazer primeiro?

Repetir o exame e passar por uma avaliação do risco cardiovascular. Ela define a meta e se o tratamento incluirá remédio.

Dá para baixar o LDL só com alimentação?

Em parte das pessoas com risco baixo, sim. Quando o LDL é de origem genética ou o risco é alto, a alimentação continua necessária, mas em geral precisa ser combinada com medicamento.

Estatina causa demência ou perda de memória?

Os estudos não mostram isso. A revisão da American Heart Association de 2023 concluiu que estatina e LDL muito baixo não aumentam o risco de demência nem de declínio cognitivo. Os raros relatos de esquecimento citados na bula desaparecem com a suspensão do remédio.

Quem toma estatina precisa tomar para sempre?

Na maioria dos casos o tratamento é contínuo, porque o LDL volta a subir quando o remédio é suspenso. Qualquer mudança deve ser combinada com o médico.

Quando procurar um cardiologista

Vale marcar uma avaliação se você:

  • tem LDL acima da meta em mais de um exame;
  • tem LDL de 190 mg/dL ou mais, ou parentes de primeiro grau com colesterol muito alto ou infarto antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres);
  • já teve infarto, AVC ou colocou stent;
  • tem diabetes, pressão alta ou doença renal;
  • começou a estatina e tem dúvidas sobre efeitos colaterais.

Dor no peito intensa, falta de ar súbita, fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade para falar pedem atendimento imediato no pronto-socorro.

No consultório em Santo André, a consulta inclui a classificação do risco cardiovascular e a definição da meta de LDL para cada paciente. Quando há indicação, o ultrassom de carótidas é feito no próprio local.


Dr. José Henrique Dias de Sousa, médico cardiologista e ecocardiografista. CRM/SP 168053 | RQE 102240. Formação em cardiologia e ecocardiografia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Conteúdo de caráter educativo.

Referências: Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose: 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640. doi:10.36660/abc.20250640. Izar MCO et al. Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular: 2021. Arq Bras Cardiol. 2021;116(1):160-212. doi:10.36660/abc.20201340. Goldstein LB, Toth PP, Dearborn-Tomazos JL et al. Aggressive LDL-C Lowering and the Brain: Impact on Risk for Dementia and Hemorrhagic Stroke. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2023;43. doi:10.1161/ATV.0000000000000164.

Se você apresenta sintomas cardíacos ou deseja realizar uma avaliação preventiva, procure atendimento especializado. O Dr. José Henrique Dias é Cardiologista em Santo André – São Paulo, especialista em ecocardiograma, sócio titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, com títulos de Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia reconhecidos pela SBC, além de atuar como médico do corpo clínico e preceptor no Hospital Israelita Albert Einstein Einstein.

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O Dr. José Henrique Dias é médico cardiologista especialista em ecocardiograma, sócio titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, com títulos de Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia reconhecidos pela SBC, além de atuar como médico do corpo clínico e preceptor no Hospital Israelita Albert Einstein Einstein.

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Médico cardiologista especialista em ecocardiograma, com 11 anos de experiência e mais de 7.000 exames realizados com precisão e responsabilidade.

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