Dr. José Henrique Dias | Cardiologista em Santo André – São Paulo

Pré-eclâmpsia e diabetes na gestação: por que o risco do coração continua depois do parto

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Dr. José Henrique Dias

CARDIOLOGISTA | CRM 168053 - RQE 102240

A relação entre pré-eclâmpsia e risco cardiovascular não termina com o parto. Segundo a American Heart Association, a mulher que teve pré-eclâmpsia tem um risco 2,7 vezes maior de doença cardiovascular mais adiante na vida. Hipertensão gestacional, diabetes gestacional e parto prematuro também elevam esse risco e pedem acompanhamento depois que o bebê nasce.

A pressão volta ao normal, a glicemia se acerta e a vida segue com um recém-nascido em casa. É compreensível que a gravidez complicada fique para trás. Só que ela mostrou, muitos anos antes, quais mulheres têm mais chance de ter problemas no coração.

Saber disso dá tempo para agir, sem motivo para culpa. A seguir, um plano prático do que acompanhar depois do parto.

Neste artigo

  1. Quais complicações da gestação são sinal de alerta para o coração
  2. Quanto o risco aumenta
  3. Por que a gestação revela o risco cardiovascular
  4. Complicação na gestação, risco futuro e o que acompanhar
  5. Plano de seguimento depois do parto
  6. Perguntas frequentes
  7. Quando procurar um cardiologista

Quais complicações da gestação são sinal de alerta para o coração

O posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre saúde cardiovascular da mulher (2022) considera cinco situações como indicadores precoces de risco cardiovascular materno:

  • pré-eclâmpsia, a pressão alta que surge em geral depois de 20 semanas de gestação, muitas vezes com perda de proteína na urina;
  • hipertensão gestacional, pressão alta na segunda metade da gravidez, sem proteína na urina, que volta ao normal depois do parto;
  • diabetes gestacional;
  • parto prematuro;
  • recém-nascido pequeno para a idade gestacional.

A American Heart Association acrescenta o descolamento prematuro da placenta e a perda gestacional.

O mesmo documento lembra que os escores usados para calcular o risco cardiovascular, como o de Framingham, não incluem a história da gestação. Por isso a diretriz brasileira de hipertensão de 2025 orienta perguntar sobre antecedentes de pré-eclâmpsia, e a Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (2024) pede que os antecedentes obstétricos constem na avaliação do risco.

Muitas pacientes me dizem que nunca tiveram pressão alta e só lembram da pré-eclâmpsia quando pergunto como foram as gestações.

Gestante com as mãos em forma de coração sobre a barriga
As complicações da gestação ajudam a prever o risco do coração nos anos seguintes. Foto: StockSnap (domínio público).

Quanto o risco aumenta

Os números abaixo vêm da declaração científica da American Heart Association sobre complicações da gestação e risco cardiovascular (Parikh e colaboradores, 2021):

  • Pré-eclâmpsia: risco 2,7 vezes maior de doença cardiovascular.
  • Hipertensão gestacional: risco 67% maior de doença cardiovascular e chance 83% maior de AVC.
  • Diabetes gestacional: risco 68% maior de doença cardiovascular e risco dez vezes maior de diabetes tipo 2 depois da gravidez.
  • Parto prematuro: cerca do dobro do risco.
  • Descolamento de placenta: risco 82% maior.
  • Natimorto: cerca do dobro do risco.

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2025) vai na mesma direção. Ela classifica as síndromes hipertensivas da gravidez como marcador de risco cardiovascular futuro e traz uma recomendação forte: toda mulher que teve hipertensão na gestação deve ter acompanhamento de longo prazo para prevenir doença cardiovascular e renal.

Como ler esses números sem susto

São riscos relativos, comparados aos de mulheres com gestações sem complicações. Aos 30 ou 35 anos, o risco absoluto de infarto ou AVC continua baixo para a grande maioria. O que muda é a trajetória: pressão alta e diabetes tendem a aparecer mais cedo, e a prevenção rende mais quando começa antes deles.

Na prática, o problema mais comum é essa história ser esquecida depois do parto.

Por que a gestação revela o risco cardiovascular

Na gravidez, o volume de sangue e o trabalho do coração aumentam, e hormônios da placenta dificultam o efeito da insulina. Por isso a gestação costuma ser comparada a um teste de esforço natural.

Duas explicações se somam:

  • Predisposição prévia. Muitas mulheres já tinham tendência à pressão alta ou à resistência à insulina, que apareceu quando o corpo foi exigido.
  • Efeito da própria complicação. A pré-eclâmpsia envolve disfunção do endotélio, a camada que reveste os vasos por dentro, e parte dessa agressão pode deixar marcas depois do parto.

Segundo a AHA, essas complicações aparecem ligadas, nos anos seguintes, a pressão alta e a alterações de glicose e de colesterol.

Complicação na gestação, risco futuro e o que acompanhar

Complicação na gestaçãoRisco futuro (fonte)O que acompanhar
Pré-eclâmpsia2,7 vezes mais doença cardiovascular (AHA, 2021)Pressão em casa e MAPA, perfil lipídico, glicemia, função renal e urina
Hipertensão gestacional67% mais doença cardiovascular e 83% mais chance de AVC (AHA, 2021)Pressão em casa e MAPA, perfil lipídico, glicemia, peso e cintura
Diabetes gestacional68% mais doença cardiovascular e 10 vezes mais diabetes tipo 2 (AHA, 2021)Curva glicêmica de 4 a 12 semanas após o parto, depois glicemia a cada 1 a 3 anos; pressão, colesterol e peso
Parto prematuroCerca do dobro do risco cardiovascular (AHA, 2021)Pressão, perfil lipídico, glicemia e avaliação do risco global
Descolamento de placenta82% mais doença cardiovascular (AHA, 2021)Pressão, perfil lipídico, glicemia e avaliação do risco global
NatimortoCerca do dobro do risco cardiovascular (AHA, 2021)Pressão, perfil lipídico, glicemia e avaliação do risco global
Bebê pequeno para a idade gestacionalAssociado a maior risco; a AHA não apresenta um número único (SBC, 2022; AHA, 2021)Pressão, perfil lipídico, glicemia e avaliação do risco global

Plano de seguimento depois do parto

Primeiras semanas: quem conduz é o obstetra

Na gravidez e no puerpério imediato, quem acompanha é o obstetra. A diretriz brasileira de hipertensão de 2025 lembra que, em mulheres sem hipertensão crônica, a pressão costuma normalizar na primeira semana após o parto, entre o quinto e o sexto dia. Mesmo assim, esse período ainda tem risco de complicações, e dor de cabeça forte, alteração visual, falta de ar ou pressão muito alta pedem avaliação imediata.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) recomenda contato com a equipe obstétrica nas três primeiras semanas e uma consulta completa até 12 semanas após o nascimento.

Da consulta de pós-parto em diante: o papel do cardiologista

Se a pressão não normalizou no pós-parto, a diretriz brasileira passa a classificar o quadro como hipertensão crônica, e o tratamento segue como o de qualquer hipertensão. Se normalizou, o seguimento continua.

O que avaliar:

  1. Pressão arterial em casa e MAPA. Em casa, com o método correto, a pressão é considerada alta a partir de 130/80 mmHg. Na MAPA de 24 horas, o limite é de 135/85 mmHg no período acordado e 130/80 mmHg na média das 24 horas. A diretriz de 2025 recomenda considerar hipertensão mascarada, a pressão normal no consultório e alta fora dele, quando a medida do consultório fica na faixa de pré-hipertensão, entre 120 e 139 por 80 a 89 mmHg. Veja o passo a passo de como medir a pressão em casa.
  2. Glicemia. Para quem teve diabetes gestacional, os Padrões de Cuidado da Associação Americana de Diabetes (2026) recomendam a curva glicêmica com 75 g de glicose entre 4 e 12 semanas após o parto e, depois, uma avaliação para diabetes ou pré-diabetes a cada 1 a 3 anos, pela vida toda, mesmo se o primeiro exame vier normal. A amamentação também é recomendada, entre outros motivos por reduzir o risco de diabetes tipo 2.
  3. Colesterol. O perfil lipídico entra na avaliação inicial. A meta de LDL depende do risco global de cada mulher, como explico no artigo sobre colesterol LDL alto.
  4. Peso e cintura. Medir a cintura diz mais do que a balança sozinha.
  5. Função renal e exame de urina, já que a diretriz de 2025 inclui a doença renal entre os desfechos a prevenir nessas mulheres.

Com que frequência

Não existe um calendário único, mas as diretrizes dão as balizas. Pela diretriz de 2025, a pressão deve ser medida pelo menos uma vez por ano, e quem está na faixa de pré-hipertensão merece investigação com MAPA ou medida residencial. A glicemia segue o intervalo de 1 a 3 anos depois de diabetes gestacional. Em quem já tem hipertensão, glicemia e colesterol entram nos exames da primeira consulta e se repetem no mínimo anualmente. O cardiologista ajusta esses intervalos a cada mulher.

Segundo a AHA, cuidar de alimentação e atividade física já faz parte do plano no pós-parto, assim como o sono, mesmo com um bebê em casa. Veja o artigo dicas para controlar a pressão alta. Para quem pensa em engravidar de novo, a SBC recomenda começar a prevenção da pré-eclâmpsia antes da próxima gestação, com peso adequado, alimentação orientada e exercício regular; a conduta durante a gravidez fica com o obstetra.

Perguntas frequentes

Quem teve pré-eclâmpsia vai ter pressão alta para sempre?

Não necessariamente. Na maioria das mulheres a pressão normaliza depois do parto, mas a chance de hipertensão e de doença cardiovascular nos anos seguintes fica maior. Por isso a diretriz brasileira de 2025 recomenda acompanhamento de longo prazo, com medida regular da pressão.

Diabetes gestacional faz mal ao coração depois que o bebê nasce?

Aumenta o risco. A AHA estima risco 68% maior de doença cardiovascular e dez vezes maior de diabetes tipo 2. A curva glicêmica entre 4 e 12 semanas após o parto é o primeiro passo do seguimento.

Quanto tempo depois do parto devo procurar o cardiologista?

Uma referência prática é logo depois da consulta completa de pós-parto, que o ACOG recomenda até 12 semanas após o nascimento. Se a pressão continuar alta antes disso, não espere.

O risco existe mesmo que a complicação tenha sido há muitos anos?

Existe. O posicionamento da SBC aponta maior risco cardiovascular sobretudo depois da menopausa, e a diretriz brasileira sobre climatério e menopausa de 2024 inclui o passado de pré-eclâmpsia e de diabetes gestacional entre os fatores que influenciam o risco da mulher.

Quando procurar um cardiologista

Vale agendar uma avaliação se você:

  • teve pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome HELLP ou hipertensão gestacional, em qualquer época da vida;
  • teve diabetes gestacional;
  • teve parto prematuro, descolamento de placenta, perda gestacional ou bebê pequeno para a idade gestacional, sobretudo com outros fatores de risco, como excesso de peso ou tabagismo;
  • continua com pressão alta 12 semanas depois do parto;
  • mede a pressão em casa e encontra valores a partir de 130/80 mmHg com frequência.

Pressão muito alta com dor de cabeça forte, alteração da visão, dor no peito ou falta de ar pede pronto-socorro.

No consultório, em Santo André, a consulta inclui eletrocardiograma e ecocardiograma (ultrassom do coração) no mesmo atendimento, e a MAPA de 24 horas, quando indicada, é feita no próprio local.


Dr. José Henrique Dias de Sousa, médico cardiologista e ecocardiografista. CRM/SP 168053 | RQE 102240. Formação em cardiologia e ecocardiografia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Conteúdo de caráter educativo.

Referências: Parikh NI, et al. Adverse Pregnancy Outcomes and Cardiovascular Disease Risk: Unique Opportunities for Cardiovascular Disease Prevention in Women: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation. 2021;143(18):e902-e916. doi:10.1161/CIR.0000000000000961. Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial: 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624. doi:10.36660/abc.20250624. Oliveira GMM, Almeida MCC, Artucio C, et al. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa: 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(7):e20240478. doi:10.36660/abc.20240478. Oliveira GMM, Almeida MCC, Marques-Santos C, et al. Posicionamento sobre a Saúde Cardiovascular nas Mulheres: 2022. Arq Bras Cardiol. 2022;119(5):815-882. doi:10.36660/abc.20220734. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 15. Management of Diabetes in Pregnancy: Standards of Care in Diabetes 2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1). doi:10.2337/dc26-S015. ACOG Committee Opinion No. 736: Optimizing Postpartum Care. Obstet Gynecol. 2018;131(5):e140-e150. doi:10.1097/AOG.0000000000002633.

Se você apresenta sintomas cardíacos ou deseja realizar uma avaliação preventiva, procure atendimento especializado. O Dr. José Henrique Dias é Cardiologista em Santo André – São Paulo, especialista em ecocardiograma, sócio titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, com títulos de Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia reconhecidos pela SBC, além de atuar como médico do corpo clínico e preceptor no Hospital Israelita Albert Einstein Einstein.

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Dr. José Henrique Dias - Cardiologista em Santo André

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O Dr. José Henrique Dias é médico cardiologista especialista em ecocardiograma, sócio titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, com títulos de Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia reconhecidos pela SBC, além de atuar como médico do corpo clínico e preceptor no Hospital Israelita Albert Einstein Einstein.

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Médico Cardiologista
CRM 16.8053 - RQE 10.2240
Médico cardiologista especialista em ecocardiograma, com 11 anos de experiência e mais de 7.000 exames realizados com precisão e responsabilidade.

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