Dr. José Henrique Dias | Cardiologista em Santo André – São Paulo

Como controlar a pressão alta: o que funciona, segundo a diretriz

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Dr. José Henrique Dias

CARDIOLOGISTA | CRM 168053 - RQE 102240

Como controlar a pressão alta? Combinando quatro frentes: menos sódio na comida, peso adequado, atividade física regular e pouco ou nenhum álcool. Some a isso a medição correta da pressão em casa e, quando indicado, o remédio tomado todos os dias. Cada medida baixa alguns milímetros de mercúrio; juntas, o efeito se soma.

A hipertensão quase nunca dá sintoma. Muita gente se sente bem com 160 por 100. Por isso, o controle depende de números: os de casa, os do consultório e os da MAPA de 24 horas.

Os números deste texto vêm da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, documento de referência das sociedades brasileiras de cardiologia, hipertensão e nefrologia, que substituiu a versão de 2020.

Neste artigo

  1. Qual é a meta
  2. Dá para controlar a pressão alta sem remédio?
  3. Quanto cada medida baixa a pressão
  4. Dicas para baixar a pressão no dia a dia
  5. Como medir a pressão em casa
  6. Quando o remédio entra
  7. Pressão alta na gravidez
  8. Perguntas frequentes
  9. Quando procurar um cardiologista

Qual é a meta

No consultório, a hipertensão é definida por pressão igual ou acima de 140 por 90 mmHg (milímetros de mercúrio), confirmada em mais de uma ocasião. Em casa, onde a pressão costuma ser menor, o limite é 130 por 80. Entre 120 por 80 e 139 por 89, a diretriz de 2025 passou a usar o termo pré-hipertensão.

A meta do tratamento ficou mais simples na diretriz de 2025: abaixo de 130 por 80 para todos os hipertensos, com risco cardiovascular baixo, moderado ou alto. Quem não tolera chegar lá deve ficar no menor valor que tolerar, e a confirmação da meta deve ser feita com medidas fora do consultório (MRPA ou MAPA).

Para entender por que a pressão sobe, leia sobre as causas, sintomas e riscos da pressão alta.

Dá para controlar a pressão alta sem remédio?

A dúvida que mais ouço no consultório, logo depois do diagnóstico, é se dá para controlar a pressão alta sem remédio. A resposta depende de quanto a pressão está acima da meta e do risco cardiovascular da pessoa.

Na faixa de pré-hipertensão, a diretriz indica começar pelas mudanças de estilo de vida. Se a pressão está entre 130 por 80 e 139 por 89 e o risco cardiovascular é alto (diabetes, doença renal ou lesão em algum órgão, por exemplo), o remédio entra quando os hábitos não controlam a pressão em três meses. Com hipertensão confirmada, a partir de 140 por 90, a diretriz de 2025 recomenda o remédio desde o diagnóstico, junto com as mudanças de hábito, qualquer que seja o risco.

Mesmo assim, as mudanças continuam valendo: reduzem a dose necessária e, às vezes, o número de comprimidos.

Quanto cada medida baixa a pressão

A tabela resume o efeito de cada medida descrito na diretriz. Quando aparecem dois números, o primeiro é a pressão sistólica (a “máxima”) e o segundo, a diastólica (a “mínima”); a resposta varia de pessoa para pessoa.

MedidaO que fazer na práticaEfeito descrito na diretriz
Reduzir o sódioAté 2 g de sódio por dia, o equivalente a 5 g de sal (uma colher de chá), somando o sal de cozinha e o dos industrializadosCada 1,15 g de sódio a menos por dia reduziu a pressão em 2,8/1,4 mmHg em hipertensos
Dieta tipo DASHMais frutas, verduras, legumes, laticínios magros, grãos integrais e castanhas; menos carnes gordurosas, doces e bebidas açucaradasReduziu a pressão em 8,7/4,5 mmHg em hipertensos; somada à restrição de sódio, o efeito é maior
Perder pesoReduzir peso e cintura, mesmo sem chegar ao peso “ideal”Cerca de 1 mmHg a menos por quilo perdido (1,05/0,92 mmHg por quilo, em média)
Exercício aeróbicoCaminhar, pedalar, nadar ou dançar de 3 a 5 vezes por semana, 30 a 60 minutos por sessãoRedução de 7,6/4,7 mmHg na pressão de consultório e de 5,5/3,8 mmHg na MAPA de 24 horas
MusculaçãoComplemento ao aeróbico, 2 a 3 vezes por semanaRedução de 2,6/2,1 mmHg; combinada ao aeróbico, 5,3/5,6 mmHg no consultório
Diminuir o álcoolPara quem bebe três doses ou mais por dia, cortar o consumoEm quem bebia seis doses ou mais e cortou cerca de metade, redução de 5,5/4,0 mmHg

Na prática: somadas, duas ou três dessas medidas podem baixar a máxima em 10 mmHg ou mais. Na pré-hipertensão, isso pode bastar. Em quem já tem hipertensão confirmada, ajuda a chegar abaixo de 130 com menos remédio.

Dicas para baixar a pressão no dia a dia

Sal: do saleiro ao pacote

Segundo a diretriz, no Brasil boa parte do sódio vem do sal adicionado no preparo e à mesa e dos temperos prontos; os industrializados pesam cada vez mais. Os campeões são conhecidos: embutidos (presunto, mortadela, salsicha, linguiça, salame), bacon, carne-seca, enlatados, queijos amarelos, temperos prontos em cubo ou sachê, shoyu, ketchup, sopas de pacote e salgadinhos. Comparar o sódio no rótulo entre marcas do mesmo produto já ajuda.

Na cozinha, trocar o tempero pronto por alho, cebola, ervas e limão é a mudança que mais funciona.

Movimento: o mínimo da semana

A recomendação mínima é de 150 minutos por semana de atividade moderada, como uma caminhada em que dá para conversar, mas não para cantar. Para quem trabalha sentado, a diretriz sugere levantar por 5 minutos a cada 30 minutos. Com pressão muito alta e descontrolada, a avaliação vem antes do exercício intenso.

Álcool: quanto menos, mais fácil o controle

Para quem bebe, a diretriz de 2025 fixa um teto de duas doses por dia para homens e uma para mulheres. Uma dose corresponde a cerca de 200 ml de cerveja, 100 ml de vinho ou 25 ml de destilado. A diretriz também pede evitar o excesso concentrado num dia só e reservar alguns dias da semana sem álcool. Quem não bebe não deve começar por causa do coração.

Cigarro, sono e colesterol

Parar de fumar reduz o risco de infarto e AVC, que é o que se quer evitar ao tratar a pressão. Ronco alto com pausas na respiração sugere apneia do sono, que a diretriz associa à pressão resistente ao tratamento. E pressão alta com colesterol alto somam riscos para as artérias; leia sobre como tratar o colesterol alto.

Como medir a pressão em casa

Medir a pressão em casa ajuda a ajustar o tratamento e, segundo a diretriz, melhora a adesão ao remédio. Uma medida isolada, feita logo depois de subir uma escada, mais confunde do que ajuda.

O aparelho

Prefira um aparelho digital de braço, validado. O de pulso fica para quando a medida no braço é difícil, como em braços muito grossos; nesse caso, escolha um validado, com sensor de altura e movimento. A braçadeira precisa ser do tamanho do seu braço: em quem tem braço mais grosso, uma braçadeira pequena superestima a pressão.

Antes e durante a medida

  • Esvazie a bexiga e fique 5 minutos sentado, em silêncio.
  • Não meça nos 30 minutos seguintes a café, refeição, bebida alcoólica ou cigarro. Após exercício, espere 90 minutos.
  • Costas apoiadas, pernas descruzadas, pés no chão e braço apoiado na mesa, na altura do coração, com a palma da mão para cima.
  • Não converse durante a medida.
  • Anote os valores com data e horário, ou use a memória do aparelho.

O protocolo MRPA

Para diagnosticar hipertensão ou avaliar o tratamento, a medida em casa segue um protocolo, a MRPA (monitorização residencial da pressão arterial). Pelas diretrizes brasileiras de medidas da pressão arterial, ela funciona assim:

  1. Três medidas pela manhã e três ao fim da tarde ou à noite, com um minuto de intervalo entre elas, antes das refeições e antes do remédio da pressão.
  2. Durante 4 a 6 dias seguidos, depois do dia em que o aparelho é entregue.
  3. As medidas do dia da entrega não entram na conta.
  4. O médico calcula a média das demais. Pela diretriz de 2025, média igual ou acima de 130 por 80 indica pressão elevada.

Medir de vez em quando, sem regra, serve como acompanhamento, mas não substitui a MRPA nem a MAPA.

Quando a MAPA é mais indicada

A MAPA de 24 horas mede a pressão automaticamente durante um dia inteiro, inclusive no sono. Ela identifica com mais segurança duas situações comuns: a hipertensão do avental branco (pressão alta só no consultório) e a hipertensão mascarada (normal no consultório, alta no resto do dia). Também mostra se a pressão cai à noite, o que a medida em casa não avalia.

Quando o remédio entra

Quando os hábitos não bastam, ou a pressão já começa muito alta, entra o medicamento. A diretriz de 2025 recomenda começar com a combinação de dois remédios, de preferência num único comprimido, para a maioria dos hipertensos. A monoterapia fica para casos de risco baixo, a critério médico, idosos a partir de 80 anos ou frágeis e situações específicas.

Pressão controlada com remédio significa que o remédio está funcionando; suspender por conta própria costuma levar a pressão de volta ao nível anterior. Se houver efeito colateral, relate ao médico: em geral, trocar a classe ou a dose resolve.

Pressão alta na gravidez

Na gestação, a hipertensão é definida por pressão igual ou acima de 140 por 90, confirmada por nova medida após quatro horas. Pela diretriz brasileira, a hipertensão na gravidez está entre as principais causas de complicação para a mãe e para o bebê, inclusive no Brasil. A pré-eclâmpsia surge depois da 20ª semana e pode afetar rins, fígado, cérebro e placenta.

Para gestantes com risco aumentado (hipertensão prévia, diabetes, doença renal, lúpus ou pré-eclâmpsia em gravidez anterior), a diretriz recomenda ácido acetilsalicílico em dose baixa, iniciado antes de 16 semanas, sempre por indicação do obstetra. Para quem come pouco cálcio, a suplementação também pode ser indicada.

Dor de cabeça forte, alteração da visão, dor na parte alta do abdome ou inchaço súbito no rosto e nas mãos pedem avaliação no mesmo dia.

Mulheres que tiveram pressão alta ou pré-eclâmpsia na gravidez têm risco maior de doença cardiovascular e renal nos anos seguintes; a diretriz trata esse histórico como um marcador de risco que pede acompanhamento mais atento. Esse histórico deve ser contado ao cardiologista, mesmo anos depois.

Perguntas frequentes

Em quanto tempo as mudanças de hábito baixam a pressão?

A redução do sal costuma aparecer antes nas medidas; exercício e perda de peso agem de forma gradual. Por isso, a reavaliação usa semanas de medidas em casa, nunca um dia isolado.

Pressão alta é para a vida toda?

Na maioria dos casos, a hipertensão é crônica e exige controle por toda a vida. Algumas pessoas conseguem reduzir remédios após perda de peso importante, sempre com acompanhamento e com a dose ajustada a partir de MRPA ou MAPA.

Café aumenta a pressão?

A cafeína eleva a pressão de forma aguda, principalmente em quem não tem o hábito, por isso o café não deve ser tomado pouco antes da medida. A longo prazo, segundo a diretriz, o consumo habitual moderado, de até três a quatro xícaras por dia, não eleva a pressão nem aumenta o risco de hipertensão.

Quando procurar um cardiologista

Vale marcar uma avaliação se você:

  • mediu a pressão em casa e a média passou de 130 por 80;
  • já toma remédio e a pressão segue acima da meta, mesmo com três medicamentos;
  • tem pressão alta junto com diabetes, colesterol alto, doença renal ou histórico de infarto ou AVC na família;
  • teve pressão alta ou pré-eclâmpsia na gravidez;
  • nunca fez uma avaliação cardiológica completa (veja o que entra num check-up cardiológico).

Pressão a partir de 180 por 110 acompanhada de dor no peito, falta de ar, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou confusão mental pede atendimento imediato no pronto-socorro.

No consultório, em Santo André, a consulta de hipertensão inclui a revisão das medidas que o paciente traz de casa e, quando necessário, MAPA, eletrocardiograma e ecocardiograma no mesmo local, para avaliar se a pressão já afetou o coração.


Dr. José Henrique Dias de Sousa, médico cardiologista e ecocardiografista. CRM/SP 168053 | RQE 102240. Formação em cardiologia e ecocardiografia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Conteúdo de caráter educativo.

Referências: Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624. doi:10.36660/abc.20250624. Feitosa ADM, Barroso WKS, Mion D Jr et al. Diretrizes Brasileiras de Medidas da Pressão Arterial Dentro e Fora do Consultório 2023. Arq Bras Cardiol. 2024;121(4):e20240113. doi:10.36660/abc.20240113.

Se você apresenta sintomas cardíacos ou deseja realizar uma avaliação preventiva, procure atendimento especializado. O Dr. José Henrique Dias é Cardiologista em Santo André – São Paulo, especialista em ecocardiograma, sócio titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, com títulos de Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia reconhecidos pela SBC, além de atuar como médico do corpo clínico e preceptor no Hospital Israelita Albert Einstein Einstein.

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O Dr. José Henrique Dias é médico cardiologista especialista em ecocardiograma, sócio titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, com títulos de Especialista em Cardiologia e Ecocardiografia reconhecidos pela SBC, além de atuar como médico do corpo clínico e preceptor no Hospital Israelita Albert Einstein Einstein.

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Médico cardiologista especialista em ecocardiograma, com 11 anos de experiência e mais de 7.000 exames realizados com precisão e responsabilidade.

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